Comecei aos sete anos quando eu ganhei um diário da minha tia, escrever o que eu sentia era bem mais fácil do que falar e, entre idas e vindas à biblioteca com ela, descobri que meus melhores amigos poderiam ser os autores. Honestamente, minha memória anda um pouco bagunçada. Desde os 13 anos sou medicada, segundo o meu primeiro psiquiatra eu tenho depressão e ansiedade generalizada, mas eu me recordo que depois do episódio horroroso de não querer ir para a escola e tomar remédios, não tive mais vontade de escrever. Depois eu descobri que a escrita corria no meu DNA. Comecei com RPG, um jogo em que eu interpretava personagens, e vivi longos anos interpretando pessoas que, no fundo, eu queria ser de verdade. Mulheres poderosas, seguras, independentes. Eu tinha tantos nomes: Julieta, Anna, Sofia, Megan... e cada uma delas era eu, em versões diferentes, talvez melhoradas. Se eu tivesse um único arrependimento nessa vida seria não ter escrito um livro, mas nunca é tarde para começar ou recomeçar.
“Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remediá-los.”
Alvo Dumbledore
Harry Potter foi mais que um simples livro ou filme. Apesar das controvérsias que envolvem a autora, eu tenho que admitir que ela criou personagens que se tornaram exemplos para mim. Um deles foi o Alvo Dumbledore. Eu lembro como se fosse hoje quando saiu o livro no Brasil: todo mundo ansioso, esperando a tradução, e como eu não tinha dinheiro eu ficava infernizando a vida da minha tia. Como uma boa bibliotecária, ela sabia quando livros novos chegavam, e foi ali, novamente, que ela me emprestou o primeiro livro da saga, abrindo portas e destravando minha mente. Cada vez que o Alvo aparecia no livro eu parava a respiração. Era sempre uma frase pensante, daquelas que fazem a gente carregar no peito, como essa, que carrego até hoje.
Sem dúvidas, uma palavra pode magoar tanto uma pessoa a ponto de fazê-la se sentir mal, como já ocorreu comigo, ou também pode amenizar a dor. Estarei criando uma nova versão de mim, lembranças do passado, memórias recentes e talvez, por que não, um tema para eu escrever um livro. Esse blog é o começo de uma vida que a Michelle do passado gostaria de ter, e eu devo muita coisa a ela.
Michelle de 2007, se prepara: você vai ser forte como sempre quis ser.
Feliz novo início! Sorri lendo cada linha 🤍 Continue, suas palavras são luz para o mundo !
ResponderExcluirMuito obrigada<3
Excluir