Nasci no dia 29 de setembro de 1993, e eu me espanto agora quando verifico que o ano do meu nascimento começa com mil e novecentos, mas não posso negar o fato de que, em alguns dias, estarei completando 32 anos. Nasci no meio católico, fui batizada, crismada, coroinha, catequista, fazia parte da liturgia e nunca me encaixava em um padrão propriamente dito da religião em questão. Eu lembro que, quando eu não frequentava as missas, minha tia me questionava. Então eu comecei a frequentar com as duas e, para ser sincera, eu gostava mais de ir à missa aos domingos, não por estar na igreja, e sim porque, sempre que acabava, íamos eu, minha tia e minha avó até o mercado comer pão de queijo e tomar café. Era o nosso ritual sagrado. Quando entrou a pandemia e todo mundo ficou isolado em casa, foi bem na época em que minha tia começou a adoecer. Então, quando tudo voltou razoavelmente à normalidade, eu não tive mais interesse em ir. Lembro que eu sempre me sentia cansada por achar a missa muito...
Postagens
Mostrando postagens de setembro, 2025
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Desde que eu nasci, segundo João Claudio Damacena, vulgo meu pai, eu saí da maternidade da Santa Casa de Pindamonhangaba e vim direto para a casa da minha avó. Eu sempre morei nessa casa antiga que atualmente tem marcas do passado, algumas rachaduras, mas ainda é rica em cada canto da casa de lembranças e amor. Eu não me recordo bem da infância, como disse, acredito que não só por conta do remédio, mas para minha autoproteção, meu cérebro apagou aquilo que mais me machucava. Brigas, discussões e gritos eu nunca gostei. Lembro de me sentir agoniada, mesmo quando os gritos eram com outras pessoas, recordava de estar em um canto qualquer fechando os olhos e rezando mentalmente para que o barulho cessasse, até que parou... e eu tentava processar o que estava acontecendo. Era estranho como a briga ficava na minha mente, era algo como se alguém tivesse colocado uma caixa de som e ampliasse toda a discussão, era intenso, cansativo e, no final, eu só conseguia pedir para que parasse. Foi assim...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comecei aos sete anos quando eu ganhei um diário da minha tia, escrever o que eu sentia era bem mais fácil do que falar e, entre idas e vindas à biblioteca com ela, descobri que meus melhores amigos poderiam ser os autores. Honestamente, minha memória anda um pouco bagunçada. Desde os 13 anos sou medicada, segundo o meu primeiro psiquiatra eu tenho depressão e ansiedade generalizada, mas eu me recordo que depois do episódio horroroso de não querer ir para a escola e tomar remédios, não tive mais vontade de escrever. Depois eu descobri que a escrita corria no meu DNA. Comecei com RPG, um jogo em que eu interpretava personagens, e vivi longos anos interpretando pessoas que, no fundo, eu queria ser de verdade. Mulheres poderosas, seguras, independentes. Eu tinha tantos nomes: Julieta, Anna, Sofia, Megan... e cada uma delas era eu, em versões diferentes, talvez melhoradas. Se eu tivesse um único arrependimento nessa vida seria não ter escrito um livro, mas nunca é tarde para começar ou rec...