Escrevo este texto em meio a uma crise de autismo.Na nossa sociedade, as pessoas parecem ter perdido a paciência umas com as outras. E isso se intensifica ainda mais quando nos deparamos com alguém em meio a uma crise sensorial. Tentarei descrever como é essa sensação. Após um conflito interno, parece que meu cérebro trava. Eu fico presa naquele problema que preciso resolver e, como uma cascata de cartas desmoronando, tudo começa a se intensificar. Um simples barulho, como um copo caindo no chão e fazendo aquele som metálico, se potencializa. O som cresce dentro de mim, causando inquietação e, logo em seguida, um susto acompanhado de um grito profundo. Os pensamentos aceleram. Tento absorver todas as informações que estão acontecendo ao meu redor ao mesmo tempo. A respiração acelera, o corpo começa a tremer, e a ansiedade, que antes estava adormecida, passa a percorrer cada vaso sanguíneo do corpo. Logo vem a dor no peito. Forte. Apertada. Sufocante. Como se um infarto fosse acont...
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Apenas um diário aleatório em um mundo aleatório.
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Escrevo com o coração apertado, misturando revolta, indignação e uma tristeza difícil de explicar. Hoje vi a notícia de que um psicólogo negro tirou a própria vida após sofrer racismo no Carnaval. Um psicólogo negro. Um homem que dedicou sua vida a cuidar da saúde mental de outras pessoas não suportou o peso de uma sociedade que insiste em desumanizar corpos negros. É devastador pensar que, mais de um século após a abolição da escravidão no Brasil, o racismo continue sendo uma força tão cruel e destrutiva. Como se a cor da pele ainda definisse valor, dignidade, humanidade. Como se o sangue, os órgãos, a alma de uma pessoa negra valessem menos. Como disse Elza Soares: “A carne mais barata do mercado é a preta.” Essa frase nunca deixou de ser atual. Essa dor não é distante para mim. Cresci me sentindo privilegiada por ter sido criada com amor pela minha tia e minha avó. E fui, dentro do que era possível. Mas também senti, desde pequena, a indiferença no olhar do meu avô materno. Nun...
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Vamos lá, eu dei uma pausa porque não sabia nem o que escrever mas eu sempre vou e volto em relação a criação de blogs e tudo mais. Hoje é dia 30/12 e falta exatamente dois dias para 2025 acabar e eu não posso estar mais aliviada com isso. 2025 foi bastante complicado, minha avó se foi e com ele veio o diagnostico de autismo mas eu não posso ser pessimista para ser sincera, consegui realizar meu sonho de ter gato e agora não tenho apenas um gato, tenho 6. Embora o mais velho, Frajola, resolveu fugir. Decidi começar uma nova faculdade, algo totalmente novo para mim que é a psicologia, não sei se de fato eu me encaixo mas quero ajudar outras pessoas como eu a se encontrar. Decidi que irei emagrecer, dia 02/01 já começo na academia nova que inaugurou. Também na próxima segunda-feira começo no meu novo emprego e nossa é tanta coisa que me assusta. Espero que dê tudo certo em 2026. ESPERO PROFUNDAMENTE, DESESPERADAMENTE, ANSIOSAMENTE QUE TUDO DÊ CERTO EM 2026. VAI DAR CERTO, TEM QUE DA...
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Nasci no dia 29 de setembro de 1993, e eu me espanto agora quando verifico que o ano do meu nascimento começa com mil e novecentos, mas não posso negar o fato de que, em alguns dias, estarei completando 32 anos. Nasci no meio católico, fui batizada, crismada, coroinha, catequista, fazia parte da liturgia e nunca me encaixava em um padrão propriamente dito da religião em questão. Eu lembro que, quando eu não frequentava as missas, minha tia me questionava. Então eu comecei a frequentar com as duas e, para ser sincera, eu gostava mais de ir à missa aos domingos, não por estar na igreja, e sim porque, sempre que acabava, íamos eu, minha tia e minha avó até o mercado comer pão de queijo e tomar café. Era o nosso ritual sagrado. Quando entrou a pandemia e todo mundo ficou isolado em casa, foi bem na época em que minha tia começou a adoecer. Então, quando tudo voltou razoavelmente à normalidade, eu não tive mais interesse em ir. Lembro que eu sempre me sentia cansada por achar a missa muito...
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Desde que eu nasci, segundo João Claudio Damacena, vulgo meu pai, eu saí da maternidade da Santa Casa de Pindamonhangaba e vim direto para a casa da minha avó. Eu sempre morei nessa casa antiga que atualmente tem marcas do passado, algumas rachaduras, mas ainda é rica em cada canto da casa de lembranças e amor. Eu não me recordo bem da infância, como disse, acredito que não só por conta do remédio, mas para minha autoproteção, meu cérebro apagou aquilo que mais me machucava. Brigas, discussões e gritos eu nunca gostei. Lembro de me sentir agoniada, mesmo quando os gritos eram com outras pessoas, recordava de estar em um canto qualquer fechando os olhos e rezando mentalmente para que o barulho cessasse, até que parou... e eu tentava processar o que estava acontecendo. Era estranho como a briga ficava na minha mente, era algo como se alguém tivesse colocado uma caixa de som e ampliasse toda a discussão, era intenso, cansativo e, no final, eu só conseguia pedir para que parasse. Foi assim...
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Comecei aos sete anos quando eu ganhei um diário da minha tia, escrever o que eu sentia era bem mais fácil do que falar e, entre idas e vindas à biblioteca com ela, descobri que meus melhores amigos poderiam ser os autores. Honestamente, minha memória anda um pouco bagunçada. Desde os 13 anos sou medicada, segundo o meu primeiro psiquiatra eu tenho depressão e ansiedade generalizada, mas eu me recordo que depois do episódio horroroso de não querer ir para a escola e tomar remédios, não tive mais vontade de escrever. Depois eu descobri que a escrita corria no meu DNA. Comecei com RPG, um jogo em que eu interpretava personagens, e vivi longos anos interpretando pessoas que, no fundo, eu queria ser de verdade. Mulheres poderosas, seguras, independentes. Eu tinha tantos nomes: Julieta, Anna, Sofia, Megan... e cada uma delas era eu, em versões diferentes, talvez melhoradas. Se eu tivesse um único arrependimento nessa vida seria não ter escrito um livro, mas nunca é tarde para começar ou rec...